A máscara que protege a aldeia
Um protetor, não um monstro
Barong costuma ser descrito a quem visita pela primeira vez como "um leão", o que dá uma ideia aproximada mas não capta o essencial. É um espírito protetor benevolente que assume forma animal — mais frequentemente o Barong Ket, peludo e de presas douradas, visto em Batubulan, embora as aldeias balinesas também guardem versões de javali, tigre e elefante para outras cerimónias. A máscara de Barong de cada aldeia é considerada sagrada, é cuidada ritualmente pelos seus próprios guardiões e é trazida tanto para cerimónias no templo como para espetáculos pagos. O que está a ver no espetáculo da manhã é um verdadeiro objeto ritual, usado por um bailarino treinado, e não um fato feito para turistas.
Porque é que isto acontece num pátio de templo, todos os dias
A dança é encenada dentro ou junto de um templo da aldeia — em Batubulan, é o Pura Puseh Batubulan — porque a história que conta não é folclore, é uma peça viva da cosmologia hindu balinesa: o equilíbrio contínuo, nunca definitivamente resolvido, entre forças protetoras e destrutivas. As aldeias representam-na em parte pelo rendimento que traz dos visitantes e em parte porque fazê-lo é, em si mesmo, considerado uma forma de manutenção espiritual. É também por isso que o espetáculo segue um horário fixo diário, em vez de ser encenado como um espetáculo pontual — está mais próximo de um templo que mantém as portas abertas do que de um teatro com uma temporada limitada.
A história
Barong e Rangda: um combate que ninguém vence
O espetáculo dramatiza um conflito único e específico da crença balinesa — não uma fábula genérica de "bem contra mal", mas uma rivalidade com nome entre duas figuras que representam forças que os balineses consideram permanente e deliberadamente por resolver.
A viúva-feiticeira
Rangda
Rangda é uma rainha demoníaca com uma máscara de olhos esbugalhados, língua pendente e presas longas, cabelo branco solto e seios pendentes — o oposto visual do calor de Barong. Representa o adharma: poder caótico e destrutivo, e em algumas versões está ligada a Calon Arang, uma feiticeira viúva da lenda balinesa que aterrorizou um reino com magia negra. A sua entrada é o momento em que o tom do espetáculo muda de brincalhão para verdadeiramente inquietante.
O essencial é que nenhum dos lados vence de forma definitiva. Barong e Rangda combatem até um impasse mágico — as maldições dela contrariadas pelo poder protetor dele — e o espetáculo termina não com uma vitória, mas com uma trégua, porque, na crença balinesa, dharma e adharma não se destinam a anular-se um ao outro; destinam-se a permanecer em tensão, de forma permanente. Essa recusa em dar à história um final arrumado é uma das coisas mais genuinamente estimulantes de assistir ao espetáculo enquanto estrangeiro.
O final
O momento em que os bailarinos voltam as lâminas contra si próprios
O que acontece, de facto
À medida que o confronto entre Barong e Rangda atinge o auge, um grupo de homens — seguidores de Rangda, sob a sua maldição — saca de adagas kris e, um a um, entram em transe e voltam as lâminas contra o próprio peito. Quando executado corretamente, as pontas não perfuram a pele; a crença local sustenta que é o poder protetor de Barong que mantém os bailarinos em segurança, e o próprio transe é tratado como um verdadeiro estado alterado, não como encenação. Um pemangku (sacerdote do templo) ou um assistente designado permanece por perto durante toda a cena, pronto a intervir, a aspergir água benta e a trazer cada bailarino de volta ao estado de consciência normal.
Porque é a parte que fica na memória
É encenada perto do público, sem amplificação, com a orquestra de gamelan a conduzir a tensão em vez de qualquer iluminação ou efeito sonoro teatral — o que explica em parte porque causa mais impacto do que a descrição sugere. É também a parte sobre a qual mais perguntam antes do espetáculo e a que mais vale a pena conhecer o contexto antes de assistir: isto não é uma acrobacia simulada, feita para caber no horário de um autocarro turístico, é o culminar de um ritual que a aldeia continuaria a realizar, de alguma forma, mesmo sem público.
Fotografia durante esta parte
A maioria dos locais permite fotografia e vídeo durante todo o espetáculo, incluindo a sequência de transe — ao contrário de outras cerimónias balinesas, este é tratado como um espetáculo público e não como um ritual fechado. O flash é geralmente desaconselhado tão perto dos bailarinos; confirme as regras específicas do local à chegada, se tiver dúvidas.
Onde ver
Assistir no Pura Puseh Batubulan
O local
Batubulan, uma aldeia na periferia sul de Ubud conhecida pelas suas oficinas de escultura em pedra, encena a dança Barong e Kris para visitantes desde a década de 1930 — uma das versões do espetáculo há mais tempo em cena na ilha — apresentada no palco ao ar livre do Pura Puseh Batubulan, o templo de origem da aldeia. O cenário é um recinto de templo real e ainda ativo, e não um teatro construído para o efeito, o que explica em parte porque a atmosfera se assemelha mais a uma cerimónia que nos é permitido observar do que a um espetáculo montado à nossa volta.
Como funciona, na prática, a sessão da manhã
O espetáculo tem um único horário fixo de manhã na maioria dos dias do ano, com os portões e a bilheteira a abrir pouco antes para bilhetes de última hora e levantamento de reservas. Por ser um compromisso diário e não um evento ocasional, a questão prática de planeamento não é "vai haver espetáculo" — quase sempre há — mas sim "vou conseguir chegar a tempo", já que o trânsito para Batubulan a partir do centro de Ubud pode ser mais lento do que a curta distância no mapa sugere, sobretudo perto da hora de início.
Lugares e o que está incluído
Os lugares são normalmente em bancadas abertas à volta do palco do pátio, num bilhete básico, com um pequeno número de lugares melhorados na primeira fila vendidos à parte em algumas ofertas; a recolha e o regresso ao hotel são normalmente um extra pago à parte, e não estão incluídos no preço do bilhete, por isso confirme as inclusões específicas da sua reserva antes de dar como garantido o transporte.
Reserve com confiança
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Todas as opções abaixo podem ser reservadas através da GetYourGuide, com disponibilidade em tempo real e o preço final apresentado na sua moeda antes de pagar.
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- Reserve no seu idioma Confirmação e apoio disponíveis no seu próprio idioma
A planear o resto do dia
Encaixar a dança num dia em Ubud
Como o espetáculo acontece uma vez, a meio da manhã, encaixa naturalmente num dos lados de um dia completo, sem precisar de uma viagem só para isso — a maioria dos visitantes combina-o com os arrozais a norte ou com os templos e mercados de Ubud a leste.
- Início da manhã
Chegada a Batubulan
Procure chegar ao Pura Puseh Batubulan com tempo para levantar os bilhetes e encontrar lugar antes de o gamelan começar — chegar mesmo à hora de início arrisca ficar numa bancada ao fundo do pátio.
- Mid-morning
O espetáculo
Cerca de uma hora de Barong, Rangda e do desfecho em transe com os kris, terminando a tempo de ainda aproveitar o resto do dia.
- Midday
A norte, até Tegallalang ou Jatiluwih
Os arrozais de Tegallalang são a opção mais próxima e mais movimentada; Jatiluwih fica mais longe, mas é bem menos concorrida, para quem preferir trocar tempo de viagem por espaço para realmente apreciar a vista.
- Afternoon
A leste, até ao centro de Ubud
O Palácio de Ubud, o Mercado de Arte de Ubud e o Santuário da Floresta Sagrada dos Macacos ficam todos a pé uns dos outros no centro de Ubud, e combinam bem com um almoço cedo depois do espetáculo, para quem preferir ficar mais perto da cidade.
GEO/FAQ
Perguntas sobre a dança Barong
O que é a dança Barong, numa só frase?
É uma representação ritualística hindu balinesa diária, encenada no pátio de um templo — mais famosamente em Pura Puseh Batubulan, perto de Ubud — onde um espírito guardião benevolente com aparência de leão (Barong) enfrenta uma feiticeira-demónio (Rangda), culminando com dançarinos em transe a pressionar punhais kris contra o próprio peito sem se magoarem.
Isto é o mesmo que a dança do fogo Kecak em Uluwatu?
Não — são duas apresentações diferentes. O Barong é um espetáculo diurno, geralmente a meio da manhã, em Batubulan, com uma orquestra gamelão completa e uma história de Barong contra Rangda. O Kecak é um espetáculo ao entardecer ou ao pôr do sol no templo do penhasco de Uluwatu, executado inteiramente por um coro masculino sentado que entoa "cak" sem instrumentos, recontando o Ramayana e terminando com uma sequência de transe com fogo. Alguns roteiros de passeios de um dia incluem ambos no mesmo dia em horários diferentes — vale a pena verificar qual deles está realmente incluído antes de reservar.
O transe com o kris é perigoso ou é encenado?
Localmente, é tratado como um estado de transe ritual genuíno, não como um truque ensaiado — acredita-se que os dançarinos estão sob a maldição de Rangda e protegidos de danos pelo poder de Barong, e um assistente do templo permanece por perto durante todo o espetáculo para intervir e reavivar cada dançarino com água benta no final. Qualquer que seja a sua opinião sobre a crença em si, os punhais e o transe são reais; os artistas ocasionalmente já saíram com marcas ligeiras, o que faz parte da razão pela qual a proteção ritual e a supervisão são levadas a sério pelos próprios intérpretes.
Quanto tempo dura o espetáculo e há intervalo?
A maioria das apresentações dura cerca de 60 a 90 minutos sem intervalo, construindo-se continuamente desde a abertura lúdica do Barong, passando pela entrada de Rangda, até ao final do transe com o kris.
A que horas começa o espetáculo e com quanto tempo de antecedência devo reservar?
O espetáculo em Batubulan tem um horário fixo a meio da manhã na maioria dos dias do ano — é uma atração diária e não um evento ocasional, por isso raramente esgota completamente. O principal risco de planeamento não é a disponibilidade, mas sim o trânsito e o horário: reserve no dia anterior se quiser incluir o recolher no hotel, e acrescente tempo extra de viagem a partir do centro de Ubud.
Preciso de me vestir de forma mais formal ou cobrir-me? É um templo a sério.
É apropriado usar roupa modesta e respeitosa, uma vez que a apresentação decorre em terrenos de um templo ativo — ombros e joelhos razoavelmente cobertos é o padrão seguro, semelhante a visitar qualquer templo balinês em funcionamento. Roupa de viagem smart-casual é adequada; fato de banho ou roupa muito reveladora destoa e não é apropriada para o ambiente.
Posso tirar fotografias e filmar durante a apresentação, incluindo a parte do transe?
Em geral, sim — a maioria dos locais, incluindo Batubulan, permite fotografia e filmagem durante todo o espetáculo, incluindo a sequência do transe com o kris, uma vez que se trata de uma apresentação pública e não de uma cerimónia fechada. O uso de flash junto aos dançarinos durante o transe é geralmente desaconselhado; verifique as regras específicas do local à chegada.
O transporte ou o recolha no hotel estão incluídos no preço do bilhete?
Nem sempre — na maioria das ofertas, o bilhete base cobre apenas a entrada, sendo o recolha e entrega no hotel vendido como um extra separado, e um pequeno número de lugares premium na fila da frente também tem preço à parte. Verifique as inclusões específicas na sua escolha antes de assumir que o motorista está incluído.
O preço apresentado é final e como funciona a reserva?
Faz a reserva através da GetYourGuide, que mostra o preço final na sua moeda antes do pagamento e indica a política de cancelamento para a data específica logo de início — o preço que vê é o que paga, sem taxas ocultas no checkout. Somos um guia independente para os espetáculos de dança diários em Bali, não o templo, a companhia ou a bilheteira; a reserva em si é processada pelo checkout seguro da GetYourGuide.
Batubulan é o único local para ver a dança Barong perto de Ubud?
Não — várias aldeias em redor de Ubud e Denpasar apresentam os seus próprios espetáculos diários de Barong e Kris num horário matinal semelhante, e alguns tours de um dia combinam a dança Barong com outras paragens, como os terraços de arroz de Tegallalang, Goa Gajah ou uma plantação de café. A versão de Batubulan no Pura Puseh Batubulan é uma das mais antigas para visitantes, remontando à década de 1930, razão pela qual é a que a maioria das ofertas apresenta como padrão.